A Final Assessment

Wow! Chegaram ao fim as Olimpíadas do esporte e a minha Olimpíada pessoa! Exausta! Como foram intensos esses meus últimos dias aqui! E acho, sinceramente, que mereço uma medalha… pode ser de prata vai, rs.

Acompanhei tudo o que pude bem de perto. Sempre atenta aos aspectos de organização, logística e promoção. Fiz um curso intensivo de produção de eventos que foi bárbaro. E juntando o útil ao agradável, conhecer atletas, assistir jogos e estar ali, vendo as finais do tênis, vôlei, ginástica artística (belíssima) e do judô por exemplo foi S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L! Minhas duas paixões juntinhas: produção e esporte!

Bom, não vou me estender aqui sobre os resultados dos atletas, medalhas e tudo mais. Sei que a imprensa cobriu bem esses assuntos e que vocês devem estar bem abastecidos com essas informações. Vou falar de bastidores.

É tudo muito sério, organizado e feito como um espetáculo. Imagino que o briefing seja o mesmo desde a Grécia antiga: uma grande demonstração de força, habilidade, técnica e dedicação. Se antes tudo era feito para os deuses da mitologia e servia de competição entre as cidades gregas, hoje o grande espetáculo é feito para o mundo todo.

Toneladas de cabos e equipamentos, milhares de lentes e microfones e uma enxurrada de repórteres de todos os continentes cobrindo tudo! Patrocinadores atentos aos resultados, legiões de torcedores e responsabilidades que vão alem do que imaginamos pesam sobre esses atletas. Países miseravelmente pobres, assolados por guerras civis ou por desastres como Haiti por exemplo, depositam uma esperança sobre-humana sobre esses atletas. Eles são os heróis de suas pátrias, os símbolos de força, esperança e alegria. Imaginem o que pensam as crianças desses países vendo esses atletas? E olhem que esses atletas não recebem quase nenhum incentivo do governo e muito menos de patrocinadores. É tudo por amor ao esporte!

E nesse sentido tivemos grandes vitorias nessa edição dos Jogos. Se não com medalhas de metal, com medalhas superação. Casos emocionantes de atletas com leves deficiências que pela primeira vez tiveram a permissão de participar dos Jogos, mulheres mulçumanas que pela primeira vez na historia foram autorizadas a representar seus países e se apresentar em público, atletas com mais de 60 anos brilhando e delegações de apenas 1 ou 2 atletas sendo amplamente aplaudidas na cerimônia de abertura.

Aplaudi esses atletas e delegações com um sentimento diferente daqueles aplausos que ofereci aos que treinam em belíssimos e super equipados centros esportivos, são amplamente incentivados pelo governo e fazem grandes campanhas publicitárias, e que terminaram os Jogos como campeões em número de medalhas.

Agora sobre a infraestrutura toda:

Não foram registradas ocorrências graves ou maiores problemas com acessos, segurança e conforto. Todas as delegações além de bem recebidas ficaram bem instaladas e foram amplamente assessoradas pelo Comitê de Organização. Para quem foi assistir aos jogos, também tudo ok. Um probleminha ou outro, mas dentro desse contexto tão gigantesco, nada demais.

Consegui chegar tranquilamente aos locais dos jogos, não precisei sair de casa com 3, 4 horas de antecedência, usei apenas transporte público, não me perdi ou fiquei em dúvida sobre caminhos, nada de filas intermináveis, nem de brigas ou outros transtornos. Apenas alguns grupos de ingleses fanáticos que estavam comemorando um pouco demais suas conquistas, mas nada que a polícia não conseguiu controlar.

Lembrei do Pan do Rio de Janeiro. Alguém se lembra de alguns jogos entre Brasil e outro país, onde toda a torcida brasileira vaiava entusiasticamente os adversários assim que entravam no campo, durante a apresentação do seu hino e a cada posse de bola? Pois é. Eu particularmente não acho isso legal, e pelo o que vi os ingleses e a maioria dos torcedores de outros países compartilham da minha opinião. Ah, o respeito… vamos ver se nossa torcida respeita mais os nossos futuros adversários (e não inimigos) em 2014 e 2016.

A cidade? Imaginem vocês que autoridades municipais e membros-chefe do Comitê deram entrevistas se desculpando sobre o excesso de medidas protetivas contra possíveis engarrafamentos ou aglomerações em algumas áreas da cidade! Sim, o centro de Londres, por exemplo, em alguns dias parecia o cenário de algum filme apocalíptico de Hollywood. De tão vazio que ficou.

Alguns dados interessantes:

Londres recebeu cerca de 300 mil estrangeiros e 600 mil britânicos de outras regiões durante os Jogos, que ocuparam pouco mais de 80% da rede hoteleira da cidade. Além disso, mais de 2 milhões de Londrinos acompanharam as disputas, totalizando 3 milhões de expectadores.

98% dos 6 bilhões de libras (quase 20 bilhões de reais) destinados à construção e manutenção do Parque Olímpico foram investidos em contratos com empresas inglesas.

Os lucros deixados pelo evento à cidade passaram dos 16 bilhões de euros, mais de 50 bilhões de reais!

São esperados ainda grandes retornos a médio e longo prazo. Principalmente devido ao fato das estruturas que serão todas reaproveitas em diversos setores da sociedade civil e também ao show de organização que mostrou para o mundo que o Reino Unido está relativamente bem em tempos de crise europeia.

Tudo mal acabou por aqui e já estou voltando para o Brasil. Confesso que vou com o coração apertado. Conheci lugares, sistemas, modelos e pessoas fantásticas. Vou levar uma bagagem de vida impossível de mensurar.

E com esse post me despeço do Conexão Londres. Foi muito legal ter esse espaço, me manteve de certa forma unida a todos vocês do BE e me ajudou a não me sentir sozinha em alguns momentos. Obrigado, obrigado e obrigado!

Um agradecimento a todos os meus queridos amigos que me ajudaram, especialmente ao Gustavo que desde a primeira letra até este último ponto final aqui do Conexão esteve ao meu lado construindo os textos comigo.

Espero que eu tenha divertido, distraído e informado vocês. Com esse espaço penso que criamos um ambiente onde podemos discutir, debater, trocar ideias e informações sobre um assunto que ficará cada vez mais em voga no Brasil: a realização de grandes eventos esportivos. Como comunicadores, penso que devemos todos nos atentar e nos informar cada vez mais sobre esse assunto e fazer o que pudermos para arrebentar na nossa Copa e na nossa Olimpíada. Temos exemplos brilhantes e competência para isso. É hora de estudar, aprender e planejar! E fazer tudo isso entre amigos é bem melhor!

Grande beijo, logo passo aí para abraçar todos vocês!

Sheyla.

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