Canisses – Parte 2

Voltando a falar desta brasileirisse toda, chamou a atenção este ano o stand da ABEDESIGN (Associação Brasileira de Design) que vem sistematicamente fazendo um excelente trabalho de divulgação do design brasileiro aqui em Cannes, como um crescimento muito grande de inscrições e premiações brasileiras no Festival.

 

Bem, de longe a gente via um “mosaico”, mas chegando perto eram uma série de post-cards dispostos em prosaicos pregos (sim, eu disse pregos) em madeira rústica. Ficou muito interessante e chamou bem a atenção.

Como atenção também chamaram, os bowls com Sonho de Valsa, Paçoca Amor e Drops Garoto e é aqui que eu queria falar um pouco mais sério: recentemente eu via que a TokStok lançou uma linha de itens com o visual vintage e cool da Paçoca Amor e no mundo a fora é muito comum encontrarmos marcas que se transformaram numa grife, invadindo inclusive áreas que não faziam parte do seu “core business” inicial.

E dado o sucesso destas guloseimas tão nacionais, fica a pergunta de quantas outras coisas íconicas, populares, comuns e realmente prosaicas que existem no Brasil e que têm potencial – talvez justamente à esta característica tão nacional – a fazerem sucesso fora do país. Havaianas, por exemplo, e um sucesso mundial – apesar do grande trabalho de construção de marca – não deixa de ser um exemplo disto que falei. É só lembrar de sua origem. Será que não há espaço para outras brasileirices.

 

Manda Balas, Kids!

Calma, não estou falando de mais uma guloseima brasileira, mas da sensacional palestra da JWT: “Junior Worldmakers – What can 3 kids teach you about creativity?”, bom pra resumir foi o seguinte: eles pegaram 3 crianças pra contar pra todos os publicitários o que eles podiam nos ensinar sobre criatividade – olha só que responsa. O primeiro a falar foi Jordan Casey, um garotinho loiro e sardento que em vez de andar de skate simplesmente desenvolve games. Detalhe: ele tem 12 anos e começou a fazer isto com 9. Tá bom, é um geekizinho daqueles que a gente sempre vê por aí.

Também falou uma menina mais “velhinha” de 14 anos e já com aquele ar e tom de adulto (irritante isso, né?! Rs) e que é professora, autora e ativista. Adora Svitak, seu nome, deixou a seguinte mensagem: “I think my huge takeaway from this seminar is that wisdom lies in not knowing”.

Bem que eu disse que ela falava como adulto.

 

Bom, até agora e apesar da proposta interessante, a gente tava falando apenas de alguns esterotipos das crianças de hoje, mas já ficava a mensagem de quanto mais coisas não existem já li com eles e que precisamos ir buscar, mas e põe muito mas nisso, o que realmente foi f…., foi um garoto chamado Caine Monroy – que simplesmente construiu um Arcade (vamos traduzir como os nossos “fliperamas”), com uma sério de jogos, mas inteiramente construídos de papelão. Ele construiu o “seu negócio” onde o seu pai tinha uma loja de autopeças e o seu “primeiro cliente” foi um diretor de filmes chamado Nirvan Mullick, que fascinado pela proposta, fez um curta, postou no youtube e recebeu 5 milhões de views.

Sinceramente, foi emocionante ver em meio a tanto brilho, egos inflados, criativos e criativices, um garoto que deu um grande e imenso exemplo da essência de ser criativo, de pensar e de ir atrás dos seus sonhos. Prova disto é que ao ser perguntado sobre a motivação em fazer o que ele fez, ele simplesmente resumiu  como: “I just wanted to have fun”.

É, será que não está faltando a gente ser mais feliz e se divertir mais com o que a gente faz? Fica aí pra a gente pensar…

Jordan Casey “O novo Bill Gates”

Adora Svitak: What adults can learn from kids

Caines Arcade


 

 

 

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