Canisses – Parte 3

Não estaríamos em Cannes se não falássemos um pouco (em muito) do que se fala aqui de storytelling. Na realidade conexões, mídias sociais e storytelling aparecem basicamente em toda palestra e felizmente com abordagens interessante e diferentes.

Juntando três exemplos disso, vou citar algumas frases e pensamentos pinçados em algumas palestras (numa tradução/interpretação livre) e que merecem algum tipo de reflexão.

Primeiramente, uma preocupação bem recorrente nas palestras: o questionamento sobre o excesso de conexão em detrimento à outras forma de contato e absorção de conhecimentos e conteúdo. Fica então a seguinte mensagem de Ariana Huffington, criadora e editora-chefe do Huffington Post: “Disconnect for connect youselves”.

Em outra, na da Visa, fica a mensagem de que a Olimpíada é simplesmente o maior case de storytelling do mundo. E é só ver as campanhas dos sponsors pra perceber que é só totalmente isso.

E por último, da palestra da Coke, eu fixei uma mensagem bem forte: a Coke não está mais interessada em falar somente com você, mas com os seus amigos e com amigos dos seus amigos (friend’s interest).

BRICreatives

É meio um comentário geral que com a Europa em crise, Cannes foi invadida pelo BRIC. Brasileiros, Russos (e lindas russas!), Indianos e Chineses (tem muitos japas e coreanos também) são um contigente bem grande no Palais e em toda Cannes.

Apesar de fazermos desta sigla de 4 letras, quatro países e muita expectativa em sermos os “paises da vez” do momento, fica uma mensagem também do quanto a gente não pode aprender com eles.

É um clichê procurarmos sempre nas grandes referências da publicidade, design e criação mundial, as referências criativas que tanto buscamos, mas sem dúvidas e mesmo com o forte elemento socio-cultural a ser considerado, tem muitas coisas boas vindo destes lugares e os short-list e premiações confirmam esta onda. Fica aí o convite.

Para citar só um exemplo: em Cannes e com as absurdas filas que tinhamos que pegar para as palestras mais concorridas, era muito comum chegar um pouco mais cedo, pegarmos uma que nem era nossa preferida, mas assim garantir o lugar na próxima.

Bom, fomos assistir uma palestra da Lowe com o Diretor de Cinema Shekar Kapur, Chairman e CCO da Lowe Lintas, R. Baiki (dois indianos), com o moderador Michael Roth (CEO da Interpublic). Bom, os indianos detonaram!

Foi simplesmente sensacional a participação, a postura e a forma como colocaram pontos muito importantes sobre o respeito que o mercado publicitário e as marcas têm que ter com mercados emergentes, mas que possuem características sócio-culturais muito específicas.

Alguns exemplos: perguntado em como uma marca deve proceder para entrar no mercado indiano, eles responderam simplesmente: “Deixe com a gente”.

Em outro momento, eles comentaram que ao chegar em Cannes, vendo este monte de gente bonita, lindos carros e belíssimos iates ancorados no porto, ele se perguntou: “É pra esta gente que a India está emprestando bilhões de euros?”

E por último, a última frase: “Daqui há algum tempo, por de trás de cada marca ou de cada máscara, existirá um chinês ou um indiano”.

Cabe a nós, brasileiros pensamos que podemos fazer parte disto também!

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