Deixe que digam, que pensem, que falem

Palestras, crachás, ternos, cartões, comidinhas, elevadores, estacionamento caro, pessoas… Estudantes, jornalistas, jovens e velhos talentos, medíocres, promotoras, produtores… Meu primeiro congresso e o V da Indústria da Comunicação.

É um previlégio, sim, participar (mesmo porque a entrada não é nada barata) e estar num lugar com tanta gente interessante. Num canto, encostado na parede um estudante encolhido, malinha nas costas e você pensa: “O cara ainda vai ter que arranjar um estágio, sofrer um bullying básico da criação e ganhar salário miserável”. Abro a porta do banheiro e dou de cara com Justus, olho pra cima (ele é alto mesmo) com cara de “Pô, não fiz nada de errado, não me demite do banheiro por favor.”. E saindo do elevador, Adilson Mota em sua camisa azul: “Olha o Diliam! Vou lá cumprimentar”, Diretor de Criação do Banco de Eventos,  meu chefe, um cara bacana e eu sou um puxa-saco.

Difícil julgar e sair proferindo: “O Congresso foi ótimo, todos falaram muito bem, uau!” ou “O Congresso foi horroroso, só falaram besteira, perdi meu tempo.”, tudo depende do ponto de vista, as palestras que mais coloquei expectativas, na minha opinião, foram as mais chatas e vice-e-versa.

Não preciso (ou não posso…) citar o nome de um palestrante que falou sobre seus feitos e suas empresas, achei chato, não tenho dúvidas de que ele é foda (é essa a palavra mesmo), ganha um milhão de vezes mais dinheiro do que eu, e fez muito mais pela publicidade do que eu vou fazer, muito menos ouso questionar a qualidade do cara. Mas sei lá, eu poderia ter dado uma googada e ter lido em 10 minutinhos tudo o que foi dito.

Vik Muniz (esse posso citar o nome porque vou falar bem), não sou fã dos trabalhos dele, mas ele junto com Alex Atala foram simplesmente fodas (é essa palavra denovo) no auditório. Perguntaram ao Vik, como ele precificava seus trabalhos, a resposta dele foi simples, sincera e eficiente, ao invés de cagar regras (“Você tem que cobrar sua hora de trabalho x materiais, e blá blá blá…”): “Eu olho pro meu trabalho e penso quanto eu pagaria por ele e é esse o preço que cobro. Quanto mais dinheiro eu ganho, mais eu pagaria pelo meu trabalho também. Não costumo cobrar absurdo, mesmo porque se fosse pra pagar 3 milhões, eu compraria um Picasso, não um trabalho meu!”.

No final das contas o saldo foi muito positivo, Desmond Tutu em sua simplicidade abrindo o Congresso foi muito bacana e o painel com Luiz Felipe Pondé, Caio Túlio Costa, Eugênio Bucci e Eurípedes Alcântra, bastante provocativo e produtivo. Espero ir no VI Congresso, se a firma me mandar é claro, eu bancar vai ficar um pouco puxado.


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