Desmond Tutu e a responsabilidade da comunicação

 

Essa semana aconteceu o V Congresso da Indústria de Comunicação. Eu enxerguei ele como duas partes: os que bebem da fonte e os que movimentam para que a fonte não seque. Isso porque alguns aproveitam as palestras, teses e debates que ocorrem, mas existem os congressistas que participam da votação sobre os temas propostos, e esses pelo que é aparente e prometido, buscam propostas para a melhoria da publicidade. Não é um evento para muitos profissionais, é caro e com temas muito técnicos, que não agradam à todos. Diferente da Young Área promovida pelo Google, colocando jovens talentos junto com grandes nomes do mercado.
O tema principal foi a “Liberdade de Expressão” e o destaque foi para o discurso de abertura do prêmio Nobel da Paz, Desmond Tutu.

Nesse tempo em que convivemos com a patrulha do Politicamente Correto, Desmond Tutu ressaltou a importância da liberdade de expressão como força e medidor da democracia no pais. Palmas para nós por termos avançado em 20 anos pós ditadura. Será que transformamos tanto assim? Na verdade vivemos num contraste, uma bela definição vinda do Bispo. E temos que fazer comunicação vivendo com esse contraste, nada novo (Inclusive é esse o fator de colocarem várias pessoas, com diferentes vontades, anseios, educação… numa caixa só, chamada Classe C. Somos mais complexos que isso. ). Esse contraste representa que temos um lado negativo, com coisas que a comunicação precisa se preocupar. Alguém tem que dizer “O Rei está nu”, mas esse papel é de risco, delicado, poucos querem assumi-lo.


Foto: Marcelo Tas

A comunicação tem a capacidade para mudar esses pontos negativos, e para isso é preciso liberdade de expressão. Mais do que isso, é preciso dar argumentos para que as pessoas se informem, opinem e tenham sua própria opinião. Desmond Tutu ainda disse que através da liberdade é que conseguiremos transformar nossos “assests” negativos em positivos. Acho que essa é uma das principais responsabilidades da mídia e da industria da comunicação, ser livre é ser responsável por merecer isso.


Foto: JJ

Como utilizamos isso na nossa rotina do trabalho? No cliente, no job, na peça, no insight….? Luiz Lara ressaltou que em meio a tudo isso e essa censura que a própria sociedade se colocou, a propaganda tem o objetivo de informar para que o consumidor possa escolher, e é para isso que batalhamos. Concordo com Desmond Tutu ao mostrar o dever dos profissionais como mantedores da democracia. Carlos Ayres Britto, o ministro do STF, disse que a imprensa e democracia são como irmãos siameses. Ao cortar um, o outro morrerá. Não vamos pensar no lado “manipulador”da mídia, e sim que é importante ter mesmo os veículos ruins, assim sabemos como diferenciá-los e ter a certeza do que é bom e correto.

Como terminou Desmond Tutu, “Go For it!”

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