Eu não sou de ferro

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Há 13 kg atrás eu era apenas um embrião de planner que dava os primeiros passos no triathlon. Nunca imaginei que um dia seria um Ironman, muito menos que escreveria no #papodebanco. Muito distante da minha realidade, em uma pequena agência de Curitiba, era um sonho distante alcançar esses dois objetivos e aqui estou para contar a história.

Fazer um Ironman não é algo que você decide da noite para o dia. Essa conclusão você chega ao ver as distâncias: 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida. Sim! É tudo no mesmo dia, um ato seguido do outro. Porém, mais difícil do que concluir a prova é se preparar para ela. Em números, na preparação foram: 281 treinos específicos, 5.948 kms percorridos, 346 horas em treinos, R$ 10.000,00 investidos e muita história pra contar.

Muito mais do que números o Ironman consome a sua vida, suas emoções e quase a sua alma. Conciliar trabalho, vida emocional, social e no meu caso mudança de cidade, não é algo fácil. Toda sua energia é dispensada nos treinos, sua estrutura emocional fica abalada, as suas renúncias geram questionamentos e a linha de chegada faz tudo valer a pena.

Durante vários treinos na USP literalmente chorei, me perguntando o que fazia lá às 5h da manha. Sabia que aos olhos dos normais estava correndo 21 km, mas aos olhos de um futuro Ironman, estava correndo atrás de um sonho. Não é apenas pelo resultado que se faz um Ironman, existe algo místico naquilo, talvez a melhor definição seja conseguir realizar algo impossível.

O tema do Ironman é Anything is Possible. E essa foi a grande lição que tirei desse meu primeiro Ironman. No triathlon e na vida não existe milagre. Você precisa ser apaixonado, acreditar que é possível, sonhar, se dedicar e ter uma boa dose de humildade. Saber que você não é de ferro é o primeiro passo pra se tornar um Ironman. É preciso dia após dia de treino, preparação, respeito aos seus limites (ou não) e principalmente saber filtrar o que se ouve pelo caminho.

Nessa viagem de Ironman vi triatletas como publicitários. Sabe aquele que estufa o peito na largada e se acha superior aos outros?! Eles me falavam que eu não tinha experiência suficiente, me contavam números absurdos dos seus treinos e falavam frases difíceis mencionando seus super, hiper e megas equipamentos. Várias vezes cheguei a me perguntar se realmente eu aguentava fazer a prova. Enquanto eu pedalava 140 km em uma média de 32 km/h ouvia alguns “publicitários” falando que fizeram o mesmo treino a 36 km/h – uma diferença significativa pensando nos 180 km do Ironman. É mais ou menos como acontece no mundo de agências, sempre tem aquele que fala muito, se acha o rei de Cannes, mas o que conta mesmo é o resultado final. Sim, aquele do cliente. Ou no meu caso a linha de chegada.

Cruzar aquela linha de chegada uma hora antes do previsto, muito antes dos “publicitários”, foi algo inacreditável. Quando olhei para o relógio tinham se passado 10h57 de prova eu estava muito emocionado, tinha vontade de chorar, mas não tinha forças para tal virtude. Senti na pele que um bom resultado só se consegue com muita dedicação. Completei a prova no limite extremo do meu corpo, mas com várias certezas que levo por toda a vida. Uma delas é o que meu amigo William deixou “somos feitos da mesma matéria que nossos sonhos”.

E fica a dica: não somos de ferro, mas podemos nos tornar!

Que dia incrível!


Marlon Camargo
Planejar para a vida é a sua grande inspiração. Entre a poesia e o excel, vive no paradoxo entre sonhar e dar bons resultados. Talvez por isso tenha em sua biografia um super herói e tem orgulho de dizer Im Ironman

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