Go Global, Go Local, Go crazy!

Graças a iniciativa do Grupo de Planejamento em promover uma conferência anual para discutir passado, presente e futuro da disciplina.

Fechar pra balanço significa fazer uma verdadeira DR na área, nos fechamos para entender melhor o que está acontecendo ao redor. Usamos uma segunda-feira por ano para sobrevoar os nossos jobs, nossos processos e o nosso mercado.

Com a temática Go Global, a Conferência discutiu a integração com a criação a exaustão
(pelo menos demos um tempo na desgastada e polêmica de qual é o papel de cada um – evolução ainda bem!), a co-criação, compartilhamento de informações além de novas formas e conteúdos inspiradores.

“A tradicional atribuição do planejamento, de municiar os criativos com informações, não é mais suficiente. Espera-se do planejador um trabalho inventivo e, da criação uma ideia estratégica. Por isso a palavra de ordem nas agências é a integração”. Capa do PropMark de 19/11 que traz o Eduardo Lorenzi Presidente do GP na capa.

Foi bom? Foi
Poderia ter sido melhor? Sempre
A seguir nossos planners comentam os trechos que merecem ser comentados e compartilhados.

NÃO AO GLOBAL MÍOPE E SIM AO TIPO EXPORTAÇÃO
POR: GUSTAVO AOYAGI

A conferência do GP é um ótimo momento para refletir e ver que tem muito mais gente remando nesse barco, que muitas vezes parece sem rumo, mas está sempre se reinventando. Para mim, foi um mix de inspiração, renovação e “crazy finger” no twitter; com terapia, “bullshitagem”, pés molhados e minha voz indo embora.

Bazan, com o melhor speech do dia (não o mais simpático e inspirador, pois esse foi do Cama) atacou uma pedra na gente, nos deu um chacoalhão e fez parar para pensar no tema central do que estava sendo discutido. Diferente do “soco” na cara que Fernanda Romano deu. Começou bem, mas foi contraditória e não concluiu nada, só deu uma cara nova para um jeito antigo de fazer as coisas (como assim, que team work integrado é esse da Naked? Se o briefing é um contrato escrito a 4 ou 6 mãos, como a pessoa manda voltar o brief? É atitude meio estrelinha, não? “Mad Woman”, sem o glamour?

O Gente que Pensa, foi um exemplo perfeito de como o planejamento pode ser relevante em um discurso de três passos muito bem feitos. Primeiramente, quebrando os paradigmas de ser local e não global, ganhando a atenção de seu público. Depois com uma clara exposição de não não ser Global míope e sim, ser tipo exportação (o nosso local ser Global, yeahl!). E finalizou com um desabafo e puxada de orelha, que faço as minhas palavras!

“…assim como você tem que estar na Conferência, para gostar ou não. Mas para passar pela experiência, que a cada ano te deixa melhor. Sejam melhores.”

PS: Ahhh.. não esquecendo de ler a Veja e se atualizar da cotação do dolar! afff

PARÁ. SIGNIFICA? SIGNIFICA!
POR: MAFÊ TAKIGAWA

2012 foi meu terceiro ano de GP. O segundo que traz o Pará como conteúdo.
Significa? Significa!

Mostra que cada vez mais pessoas estão de olho nesse local do país até então visto, pelo menos por mim, como um local habitado
por índios seminus que possuem macacos como seus pets e que ainda moram em ocas com o mínimo da infra-estrutura.

O ano passado com Gabi Amarantos, já me surpreendi com toda a mega produção dos eventos
(as aparelhagens) e esse ano com Ronaldo Fraga, pude ver que com um pouco de orientação e principalmente boa vontade é possível idealizar peças lindíssimas que facilmente competem com o que é mostrado no cenário fashion mundial. E vale lembrar que tudo isso acontece em uma região do país que foge do eixo Rio-São Paulo.

Ronaldo mostrou por meio de um video-documentário porque valorizar nosso país e como “vendê-lo” ao mundo mostrando todas suas manifestações sócio-culturais.
Em linhas gerais mostrou que um bom profissional, deve buscar tendências pelo mundo, mas não pode esquecer que dentro de casa também tem muita coisa para ser absorvida.

Em comparação aos anos anteriores, o conteúdo se mostrou mais fraco. Ronaldo Fraga foi o que mais me chamou atenção, mas o conteúdo como um todo atendeu o objetivo que vejo que o GP tem, que é o de trazer repertório que ajude o planejador a abrir a cabeça.

CAMA, LIVRO E BANHO
POR: MARLON CAMARGO

Ser vintage é cool ou “no cool”! Calma, comecei meio ácido, vamos voltar no tempo então e falar do tiozinho que causou lá no GP Global 2012. Vindo da roça, não conhecia o cidadão que chegou, barbudo, sorridente, falou trinta segundos e pensei, valeu o ingresso! Foi mais ou menos como ser confrontado em uma exposição de arte e ir pra cama (trocadilho infame) refletindo sobre a(s) escolha(s), sim sou planner por escolha, da vida.

O GP foi incrível, vi muita gente estranha e me senti em casa. Todos os monstros que vêm na cabeça, nas leituras, pesquisas e aventuras dessa vida, foram de alguma forma falada lá. Mas, duas coisas eu defini como meta pessoal.
Primeiro, sair da tela. Às vezes a vida acontece e estamos preocupados em fotografar, registrar, postar ou qualquer coisa do gênero. Nos últimos meses tenho redescoberto o prazer da leitura, sim degustar um livro vale muito a pena. Vale pra escrever melhor, pra refletir, pra ter tempo de processar as coisas e principalmente se tornar uma pessoa melhor, perceba pessoa e não planner melhor.

Segundo, ser feliz. Opa, sim, a vibração que o Luiz Cama transmitiu no palco não se consegue em um curso da Soap de R$ X.000,00. Sinto que muita gente em agência perdeu o tesão da profissão, viramos reprodutores de jobs e fazedores de ppt. Ser global, segundo a definição do Bazan, acredito que passa por isso. Quando você acredita em algo, tem paixão, faz pelo prazer… tudo fica mais fácil e bem feito.
Sou meio retrô, leio livros, gosto de tiozões e suas piadas, nado, pedalo e corro todos os dias e cada vez que paro pra pensar nisso… descubro que ser analógico e vintage pode ser legal.
Então, seja cool, leia um livro e felicidades!

MODELOS DE TRABALHO COLABORATIVOS
POR: CATARINA MORAES

Graças a um novo formato proposto pelo GP, em que após a participação geral o palestrante é sabatinado em uma sala por poucos participantes inscritos previamente, intervenção batizada de sala de diretoria, pude fazer perguntas mais específicas ao Chris Colborn, diretor global de experiência da agência norte americana R/GA vencedora dos Grand Prix de Titanium e outros 7 leões em Cannes este ano.

COMO FUNCIONA NA R/GA?

A R/GA é dividida em departamentos por cliente/projeto, não por disciplina. Esse modelo está baseado no conceito central de que quanto mais profissionais de diferentes áreas (criação, design e planejamento) trocarem ideias, maior a possibilidade de inovação. Segundo o próprio Chris Colborn: “Combinamos estratégia, criatividade e tecnologia. Esse é o nosso time”.
Dentro dessa estrutura, o planejador é chamado de estrategista porque deve ser capaz de reunir as três principais áreas da agência: insights planning, media connections e analytics.

Já na sala da diretoria perguntei para o Chris o que havia de errado com o nosso modelo tradicional: Ele disse curto e grosso: “The traditional model just takes too long!”. “Essa demora toda não é saudável para o projeto”.

Perguntado sobre quem é o responsável pelo processo dar certo, outra resposta a queima roupa: “O PROJETO. Nesse modelo não existe um departamento, um cargo ou uma função responsável pelo andamento dos processos, existem grupos responsáveis por um projeto dar resultado para nossos clientes”.

É claro que fiquei pensando como seria trabalhar de uma forma mais colaborativa e orgânica, já que nas agências de ativação/non-media ou BTL os prazos estão menores a cada dia e as soluções precisam ser cada vez mais completas e abrangentes, mas só por saber que, pelo menos lá fora, os planners são vistos como estrategistas fico mais tranquila para pensar sobre a evolução da disciplina e o seu potencial de crescimento.

SAPO DE FORA, FALANDO DE CORAÇÃO
POR: RAPHAEL CLARO (NOSSO TRAINEE HÁ UM MÊS)

Para meu primeiro evento dentro do grupo de planejamento, eu não fazia ideia do que esperar. Mesmo dando uma olhada em quais seriam os palestrantes, pesquisando um pouco sobre eles e até estranhando a presença da Isabela Faber, a menina da página Diário de Classe do Facebook, fui para o lugar bastante apreensivo por não saber o que eu presenciaria e nem como seriam as pessoas lá, fato que mais me intrigou, pois sabendo como são as pessoas é fácil deduzir como será.

Aqui no Banco de Eventos me falaram bem rapidamente sobre como funcionou o evento nos anos passados e qual seria o perfil do público – até me disseram para não usar camisa xadrez, pois no ano passado o lugar parecia uma grande festa junina de planejadores geeks, mas não adiantou muito. Devo admitir que eu estava nervoso.

Bem, pra falar um pouco sobre como foi no evento, acho válido começar o texto dizendo que o credenciamento começou cerca de 30 minutos atrasado, quase na hora da primeira palestra, e quase ninguém havia chegado ainda.

Além do Marlon, a primeira pessoa que vi com cara de planejador levou um tremendo escorregão bem na entrada do evento, caindo com tudo no chão e ao tentar se levantar deu pra notar o constrangimento do cara, que não deixou de levar um tapinha nas costas e ser zuado por um certo alguém que estava comigo na hora. O interessante nesse momento foi ver que não tinha mais porque eu ficar nervoso, já que mesmo o lugar ficando cheio de alguns dos melhores profissionais de agências de São Paulo e do Brasil, todos eles eram pessoas normais, sem nenhum tipo de superpoder ou participantes de um teste de elenco para o The Big Bang Theory.

Outra coisa que notei foi que o mesmo pessoal que é extremamente presente nas mídias sociais, que comentam e contestam todo tipo de informação, dando pitaco em tudo, no mundo não virtual eram os mesmos que ficavam em suas rodinhas de amigos sem entrosarem com os outros salve alguns reencontros de antigos colegas de agência. A presença digital deles é tanta que no lugar de bloco de notas para guardarem os ensinamentos passados, a organização preferiu investir esse dinheiro em uma conexão wi-fi mais potente. O que foi ótimo para os twitteiros que não tiveram que esperar chegar em casa para começarem suas reclamações e observações sobre os palestrantes, conteúdo e até o ar-condicionado.

Não que eu seja um stalker ou algum tipo de maníaco do parque por ter observado o comportamento das pessoas, mas foi o jeito que achei para saber como é que aquele lugar e aquelas pessoas funcionavam. No final, percebi que profissionais de planejamento são tão humanos quanto eu – e ficam tão felizes com sorvetes como brinde quanto qualquer outra pessoa.

Créditos das fotos: PropMark, R/GA, Meio & Mensagen e nossos próprios iphones.

A PONTA DA COXINHA
POR: OTÁVIO MARQUES

Pouco menos de três anos na área e já na segunda conferência do GP. Fui ao evento esperando me surpreender com grandes ideias, formas e conteúdo. Expectativa que foi alcançada logo de cara, com a grande ideia do Gustavo Aoyagi, de passar na Ofner para uma coxinha, antes de começar o evento.

O GP não deixou por menos e começou bem com a palestra do Tim Jones (BBH – UK), sobre Effectiveness e o case da Axe, premiada no IPA.

Jones deixou claro em seu speech que campanhas criativas são as mais efetivas. Mas elas não simplesmente acontecem. Dependem de um trabalho de planejamento muito bem feito. Antes disso ainda, uma metodologia de trabalho bem definida e executável, que foi ilustrado pelo case “Even angels will fall” da Axe/Lynx.

Aqui uma ressalva, as diferenças evidentes de mercado. O que nos faz considerar alguns pontos de sua palestra como uma inspiração, pois nem tudo é aplicável em situações do nosso dia-a-dia (assim como a palestra sobre storytelling – muito inspirador, mas pouco usual).

A mensagem que devemos incorporar é: Campanhas criativas são as mais efetivas, porém elas são apenas a ponta da coxinha chamada trabalho.

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