O que nós perdemos

O Instagram foi criado por Brasileiros. O Facebook tem um dedo de Brasileiro. Um Brasileiro é responsável por uma das maiores animações do cinema. Quer fugir disso? Miguel Nicolelis, o primeiro brasileiro a ser publicado pela Science. Calma, temos outros nomes também. Corri atrás de saber quem são e precisaria me aprofundar nesses caras, então vamos ficar por aqui mesmo.

O que eles tem em comum? Todas suas idéias não foram concretizadas em seu local de nascimento. Ok, sem os códigos de Zuckerberg e a ressaca moral dele, Eduardo Saverin não poderia financiar o Facebook. Sem os instrumentos dos estúdios da FOX, Carlos Saldanha não teria contribuído para “A Era do Gelo” e criado “Rio” e por aí vai. Mas isso é outra coisa.

Mês passado li na INFO sobre as startups de internet e como jovens Brasileiros estão buscando incentivos para concretizar suas idéias. São jovens de 20 e poucos anos, e alguns até mais velhos que resolveram apostar neles mesmos e até abandonar empregos para startar o próprio negócio. Nascidos no pós-ditadura, filhos de uma época que institucionalizou o “jeitinho Brasileiro” e todas as conseqüências disso, pegam esse aprendizado de viver num local marcado por diferenças sociais extremas mais as influências da nova ordem de acesso às informações e tentam transformar em negócio. Porque no fundo eu acho que é isso, é assim que foram educados. Empresas estão investindo nesses jovens.

Mas de onde vêm essas empresas? Não do Brasil. Jovens empreendedores que apresentaram seus projetos no Campus Party receberam incentivos para aprimorá-los no Chile. Empresas e Universidades Americanas vêm buscar idéias inovadoras aqui e quem quiser um investimento tem que saber vender projetos em 5 minutos.

Estamos perdendo uma oportunidade. Estamos vendo todo esse conhecimento e mão na obra não acontecer no Brasil. Esses investimentos estão sendo buscados ou oferecidos em outros países, e ao investir neles são esses países que ficarão com o negócio. Ok, mundo globalizado e blá blá blá whyskas sache, mas não é no Brasil que esse negócio vai crescer, influenciar, educar, capitalizar e trazer mais investimentos.

Nessa mesma edição da INFO tem uma matéria sobre Bangalore e como os Indianos estão transformando o mercado interno. Deixaram de ser uma cidade onde Ingleses e Americanos investiam seus telemarketings, pra um exponencial mercado de inovação. Não precisa ir tão longe, nossos hermanos Argentinos exportam software e conhecimento para o Brasil. Maior quantidade de programadores qualificados e custo de mão de obra em TI até 40% mais barato que no Brasil são fatores decisivos para buscarmos empreendedorismo digital no “Palermo Valley”, o Vale do Silício Argentino.

Nós avançamos muiiiito em relação aos investimentos de negócios digitais, mas estamos longe de ter um “Vale do Silício”. Sim eu disso isso. Porque? É ruim querer ser grande?

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