Que venha 2016

Os jogos olímpicos ainda não acabaram. Pelo menos não em nossa seção #conexaolondres.

O Papo de hoje é com Murilo Laiza, nosso correspondente que esteve em Londres durante os jogos e conta para nós em uma entrevista o que viu de melhor na terra da Rainha.

Banco de Eventos: Qual foi o motivo de sua viagem pra Londres?
Murilo Laiza: O principal motivo foi acompanhar de perto desde a organização dos Jogos a como a cidade se comportaria com a chegada de tantas pessoas.

BE: Como percebeu a organização do evento?
Murilo: A organização estava impecável. Pela cidade inteira eram observadas bandeiras dos jogos, voluntários, ou roxinhos (cor do uniforme) muito bem treinados e atenciosos, e muita comunicação visual nos pontos chaves de locomoção do público. Do ponto de onibus as inúmeras estações de underground e overground.  No Victoria Park e Hyde Park, duas arenas para o publico assistir os jogos gratuitamente foram criadas. Dentro das arenas o espetáculo continuava. Com a equipe de staff muito bem orientada e a comunicação visual limpa, era praticamente impossível se sentir perdido.

A única crítica é na quantidade de telões dentro do Parque Olímpico. Somente 2 telões localizados na parte central trasmitiam um esporte por vez, enquanto muitas modalidades esportivas estavam sendo disputadas dentro e fora do Parque.

BE: Como era o encontro de diversas pessoas de países diferentes?
Murilo: O encontro cultural era uma festa, da frieza do leste europeu a alegria dos americanos. Muito diferente do que estamos acostumados a ver nas torcidas brasileiras, a arquibancada era dividida entre as torcidas sem nenhuma espécie de separação física. Familias inteiras, com os rostos pintados e de bandeirinhas na mão torciam por seus países.

BE: Fale um pouco sobre as competições que você assistiu. Qual te agradou mais?
Murilo: Assisti muitas modalidades. Ciclismo road race, Ciclismo time trial, Kayak e Canoe Slalom, Futebol, Handball, Basketball, Volleyball, Triathlon, Maratona e Atletismo. Dentre esses, a surpresa foi para o Estadio Olímpico lotado e vibrante no Atletismo, a cada salto em altura bem sucedido, a cada barreira ultrapassada, muitos gritos de incentivo e aplausos. Mas o destaque vai para o ciclismo. É incrivel ver a paixão dos ingleses pelo esporte e a intensidade da competição. Milhares de pessoas nas ruas para incentivar seus atletas favoritos, que por muitas vezes passavam pedalando a 60km/h por uma vez só.

BE: Como foi ver o Brasil num esporte Olímpico? Teve alguma diferença com a seleção de futebol?
Murilo: Declaradamente o futebol masculino é uma modalidade à parte nas Olímpiadas. Fui assistir a Brasil e Egito em Cardiff, Pais de Gales e encontrei um estádio vazio, como na maioria dos jogos. Ja o feminino é mais “simpático” e teve grande público nos jogos realizados em Londres. Nas competições que participei vi que o Brasil não estará preparado para ser um país olímpico em 2016. Os atletas que chegam nos Jogos Olimpicos fazem parte de um projeto que começa muito cedo e com muita estrutura, seja estrutura física para treinamentos, seja profissionais capacitados. Qualidade que o Brasil ainda nao oferece aos seus atletas. Muitos dos que estão aqui competem com verba particular ou até propria. Sem falar na falta de incentivo a modalidades que mais trazem medalhas como o Atletismo, Natação e Ciclismo. As potencias olímpicas tem inúmeros atletas nessas modalidades. Nós contamos com um ou outro nome renomado e críticado após uma medalha de broze.

BE: Fale suas considerações das Olimpíadas. O que pensou, o que esperava, expectativas e o que consegue levar para 2016.
Murilo: Fui fazendo minhas considerações ao longo das perguntas, mas o que fica é claro: 2016 será um bom incentivo, mas para ser uma potência ou mesmo um país olímpico é preciso rever onde e como estão sendo investidos os esforços brasileiros. Além disso, foi importantíssimo para minha vida profissional acompanhar de perto a complexidade de organização e excelência da Londres 2012. São os detalhes que fazem a diferença e aqui a organização inglesa pensou no atleta, na equipe e no público com uma eficiência incomparável. Agora é Rio! E o desafio está lançado!

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