Se acaso você chegasse no meu chateau e encontrasse

O texto abaixo não, necessariamente, reflete a opinião do Banco de Eventos (Ah vá!), meu único intuito é mostrar um ponto de vista diferente do usual (não o ponto de vista daltônico), não é julgar crenças, muito menos fazer com que acreditem nas minhas, mesmo porque, se muitos começarem a acreditar, é capaz que eu vá procurar outras. Sim, acredito no acaso e não, não acredito no “O que tiver de ser, será” ou o famoso destino. E digo com conhecimento de causa que levantar a bandeira do acaso é quase tão herege quanto não gostar de Gnocchi da Sorte (que por sinal é bem sem graça)

Já perdi a conta de quantas vezes cheguei em layouts muito interessantes jogando um elemento gráfico no documento errado; aquele corte “torto” porque a caneta deslizou; ou a cor de algum elemento, que escolhi sem critério algum para depois eu acertar, e no meio do caminho penso: “Pô, essa cor ficou boa, deixa assim mesmo” (OK, OK, eu e as cores). Acredito no velho clichê: “Boa ideia = 90% de transpiração + 10% de inspiração.”. Nesse caso não é transpiração nem inspiração, é a famosa sorte (puta rabo, cagada). “Não tive a mínima intenção de compor desse jeito, mas dei sorte mesmo e caiu assim, olha que legal ficou.” Simples como jogar dados.

Temos mania de procurar explicação para tudo (me incluo muito nessa) e quando o “resultado é grandioso”, não nos satisfazemos com uma explicação aparentemete “simples ou banal”, tendemos a ir para uma explicação mais “mágica” (Ah, a mágica do Power Balance…).

Conceitualmente o destino é inverso ao acaso. Se o destino existe, a liberdade de escolha inexiste, todo mundo já se pegou pensando: “Se tudo o que faço já está premeditado, o simples fato de eu pegar esse lápis já “está previsto”, então não vou pegar pra enganar o destino. Mas se eu não pegar pra enganar o destino, é poque já está previsto. OK, não tem saída, vou parar de pensar e tomar um café”. E a diferença de “estar previsto” (mais popularmente conhecido como: O que tiver de ser, será) que você vai pegar um lápis ou que vai encontrar o amor da sua vida na sessão de artes Bauhaus da Livraria Cultura é, conceitualmente…. nenhuma. Um esquema sintetizado das combinações para:

PEGAR O LÁPIS:
• Nasceu depois da invenção do lápis + estar num lugar que tenha um lápis + ter vontade de pegar um lápis = Pegar lápis

CONHECER O AMOR DA SUA VIDA NA SESSÃO DE ARTES BAUHAUS DA LIVRARIA CULTURA:
• Nasceu depois de Pedro Herz (fundador da Livraria Cultura) + Aprendeu a ler + Paga de hipster + Não tem amigos para sair no sábado de tarde + Não tem namorada (ou tem, sei lá…) + Todas as combinações anteriores se aplicam ao futuro amor da sua vida = Conhecer o amor da sua vida na sessão de artes Bauhaus da Livraria Cultura

Mais interessante do que o próprio resultado são os infinitos elementos que compõem essas combinações. O exemplo de pegar um lápis e o encontro do grande amor são extremos opostos no quesito grandeza, e no meu ponto de vista a regra do acaso se aplica a tudo, sem excessão. E pensando mais a fundo…

Se:
• Toda regra tem sua excessão

Logo:
• A excessão dessa regra é ter alguma regra sem excessão

Mas se toda regra tem sua excessão e a excessão dessa regra é ter alguma regra sem excessão, então a excessão de se ter alguma regra sem excessão é…. Loop infinito!

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